«queria tanto que alguém me amasse por alguma coisa, que escrevi»

quinta-feira, 29 de novembro de 2012


quero sempre ver-te com aquele sorriso de menino reguila na cara. aquele brilho nos teus olhos castanhos avelã, porque quando estás realmente feliz, sinto que há coisas pelas quais ainda vale a pena, e que aquela expressão no teu rosto, é uma das maiores recompensas. entretanto, adormeci, tensão baixa, ou poucas horas de sono, levaram-me a um sono imenso enquanto escrevia. acordei com frio, tinha os pés gelados, os calções tortos, e a cabeça, sim, por fim descansada. o meu pai bateu à porta, vamos jantar, olhei para o relógio, era realmente hora do jantar, e já de pernas à chinês, entra a minha mãe pelo quarto, pede-me que lhe veja a barriga, que desde cedo ameaça inchada, com a justificação de que tenho maior sensibilidade que ela. estava realmente maior. ela sentia dores. lia-lhe na cara. não estava bem, mas queria muito que passasse sem ter de sair, dizia-me. o medo daquele hospital, que a guardou durante um mês. eu também sentia medo, mas não mostrava, nem eu, nem o meu pai. comeram em menos de 5minutos, depois fui vesti-la, magra, como ela está magra, desorientada, cansada das paredes deste apartamento, com necessidade de ter de volta a sua vida de doida activa, muito pouco equilíbrio. como aquele mês mudou-a. antes de sairem de casa, pede-me, para que não me preocupe, com medo que eu piore, sorri, e diz que volta ainda hoje, o meu pai abre a porta, e ela, antes mesmo de a fechar, volta a abri-la, e quase que automatico corro para perto dela, oferece-me um beijo, um sorriso. e antes mesmo de dar tempo para eles terem virado a esquina, começam os meus medos, os meus nervos descontrolados, que quebram o efeito aos medicamentos que me receitaram.  penso em ti, na questão de segundos, e aquele sorriso que vi em ti, ao longo de todo o jogo, da-me força. é amor, vocês foram campeões.
com o teu telemóvel ao meu lado, estás incontactável. logo hoje.
e eu aqui, meio com tudo, meio com nada, preocupada, com um ‘eu fico bem’ que nem ela tem certeza, e com um ‘eu sei’ forçado. orgulho de mãe, desobediência de filha. 

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